| GAÚCHO FARRAPO Adenir Paz da Silva |
Sou feliz, nasci Gaúcho, Deus me deu este regalo, sou briguento que nem galo peleando no rinhedeiro, sou pachola, sou faceiro, sou bagual não tenho encilha, sou livre, sou farroupilha, pra lutar fui um guerreiro. Sou xucro, criado guaxo, falquejado em coronilha, fui cincerro de tropilha de um tempo maula e aragano. Sou alçado, não tenho dono, meu andar ninguém maneia, sou noite de lua cheia vigiando, não tenho sono. Meu grito é retumbar de legüero chamando e atiçando a tropa. Meu destino é quem galopa nas patas da evolução, sou raiz, sou tradição de um passado de glórias, fui revolução, sou história lutando por este chão. Eu demarquei as fronteiras, da República Rio-grandense, o Rio Grande me pertence, eu lutei para este fim, fui tambor e fui clarim nos fervores de uma guerra. Eu sou filho desta terra, fui farrapo e sou assim. Sou bandeira que esvoaça guarnecendo esta querência. Me ajoelho em reverência ao meu pendão desfraldado, verde, amarelo, encarnado, tem força de Liberdade, Igualdade e Humanidade, símbolos de que fui marcado. Ser livre, este é o meu sentimento que trago neste peito guardado, e que só fica rebelado quando a justiça se afasta. Sou Gaudério, ninguém me castra, sou taura e sou índio macho, envergo mas não me abaixo. Sou Gaúcho, e isto me basta! |
VENTO SUL: Um programa totalmente comprometido com as tradições gaúchas, levando conhecimento ao homem do campo, dirimindo todas suas dúvidas, valorizando todo e quaisquer assuntos relativos ao nosso povo, a nossa tradição, trazendo a culinária, artistas de todo o Rio Grande do Sul,e uma infinidade de outras atividades rurais.
sábado, 9 de outubro de 2010
PROGRAMA TRADICIONALISTA VENTO SUL
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
| TRIBUTO AO PAYADOR Adenir Paz da Silva | |
Silêncio, eu peço silêncio, um minuto de respeito.... Finou-se, não teve jeito, foi sua última tropeada iniciando a galopeada rumo às Estâncias do céu. Tombou sem choro ou escarcéu o Monarca da Payada. A vida negou-lhe estribo no corredor da existência, o tempo não teve paciência. - Fechou-lhe a tranca da porta que nem laço, que se envolta pealando de uma só vez e deixando pro freguês só a ida, e não a volta. O Velho, Deus, quis assim, o qüera foi chamado, e dum jeito abarbarado o chimango se embretou pelo longo corredor que leva direto pro céu de lenço branco e chapéu, pilchado de bota e espora enveredou horizonte afora e foi juntar-se ao Criador. O dia nasceu chumbado num gesto de reverência pra aquele que na existência foi o Grande Payador, poeta, declamador, pêlo duro e missioneiro, do Rio Grande o companheiro, dos gaúchos o professor. O minuano assobia triste uma canção de lamento, e com todo o sentimento chora a perda do campeiro, sopra forte e se faz ligeiro, se perde nas invernadas, vai repontando manadas de nuvens no firmamento. Os gaúchos choram em silêncio, o Rio Grande está de luto. Morreu o poeta culto, senhor da linguagem e do vento, que tinha no pensamento a marca do nativismo, exemplo de gauchismo, tradutor de sentimentos. Foi manancial e cacimba da cultura Rio-grandense, herança que nos pertence, legado que nos deixou, semente que germinou enraizando no peito a tradição e o respeito que o poeta eternizou. Por isto rezo esta prece pela alma do vivente! Que o Patrão onipotente ilumine esse bagual, não foi um gaúcho mau, foi payador de verdade. E eu rendo a minha homenagem a Jaime Caetano Braum! | |
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
PROGRAMA TRADICIONALISTA VENTO SUL
| CONTADOR DE CAUSOS - REVOLUÇÃO Adenir Paz da Silva |
A tropilha da existência trouxe junto aquele velho, sua idade era um mistério, pra saber? - só adivinhando. Le chamavam Valenciano, índio curtido e campeiro, que apesar dos seus janeiros tinha ainda bom tutano. Agachados à beira do fogo com o olhar perdido no nada Valenciano resmungava coisas que ninguém entendia, parece que se perdia em sonho, de olhos abertos, e quem estivesse por perto tinha pena e até sorria. Mas, em momentos de lucidez buscava na sua memória aquela carreta de histórias que o tempo lhe havia confiado, e num jeito de acanhado, com voz calma e fala mansa escolhia uma, dentre tantas, iniciando assim o seu relato: Bem antes, parceiro, bem antes de acabar com a monarquia, o gaúcho já sabia o que tinha de fazer, ser livre ou então morrer lutando e não se entregando aos desmandos soberanos desses donos do poder. O Rio Grande foi República, nos apartamos do Reinado, foi guerra pra todo o lado, iniciamos o levante empurrando tudo por diante com sonhos de Liberdade, que pra falar a verdade não ficou muito distante. Num tempo que já não sei estes campos sem colheitas não empanturraram as carretas, se perdeu a produção, o gado sem marcação extraviou-se campo a fora, alegria foi embora, calejou meu coração. Ficou tudo abandonado, estância virou tapera não suportando a espera de acabar tamanha briga. Sinto um frio na barriga de lembrar tanta judiaria, morte, choro e gritaria... Mas passou, é coisa antiga. Depois de dez longos anos, por fim se acabou a peleia. Nunca vi coisa tão feia: a indiada peleando no braço, sentindo o andar do aço, guerreando de peito aberto, debochando da morte bem perto à base de lança e dagaço. Vou encurtar este causo, parceiro, pois a memória me trai um pouco, não pense que estou louco pedindo pra acreditar mas é que tive de falar nesses fatos assucedidos, pois trago lembranças comigo. Fui Farrapo, estive lá... E assim voltava o Valenciano a olhar através do nada, sorrindo ou dando risada do causo que vinha contando. Acabava se calando, perdido em recordações, fungava para negar emoções, confuso, triste e chorando. |
Assinar:
Postagens (Atom)
VENTO SUL PRODUÇÕES ARTÍSTICAS
Estamos produzindo este programa Tradicionalista, com todo o carinho que o Rio Grande do Sul merece, e o alcance atualmente é de 18 municípios pela tv aberta, irá ao ar também pela VIA CABO E NET.
Get the Flash Player to see this player.
SEJA BEM VINDO AO BLOG DO PROGRAMA VENTO SUL.
Muito obrigado por visitar o blog do Programa Tradicionalista Vento Sul, fique à vontade, é um prazer imenso tê-lo conosco, volte sempre.
Um grande abraço.
Clovis Fonseca
Produtor e Diretor.
Rio Grande/RS.
Um grande abraço.
Clovis Fonseca
Produtor e Diretor.
Rio Grande/RS.
O que você gostaria de ver no programa?
Postagens populares
-
DIRETRIZES PARA A PILCHA GAÚCHA O Movimento Tradicionalista Gaúcho, reunido na 67ª Convenção Tradicionalista Gaúc...
-
"O impossível não existe" Desde cedo João Chagas Leite sentia uma vontade imensa de tocar violão, isto fazia com que aquele ...
-
http://www.4shared.com/audio/VcQdZIqS/Joca_Martins_-_Recuerdos_da_28.htm
-
CONVITE A Secretaria de Município da Cultura convida a todos os interessados em participar do “Seminário de História”, a ser realizado nos ...
-
http://www.joaochagasleite.com.br/ Conto de Fadas 01 - EI, AMIGO 02 - VIAJEIRO 03 - CONTO DE FADAS 04 - A CAPITAL 05 - A PORTA 06...
-
T arciane Maiara Cabral Tebaldi ou simplesme nte Tarciane Tebaldi nasceu no dia 20 de setembro de 1991, no Hospital Santo Antônio da Cidad...
-
Wendroth: Típica propriedade rural da região central do RS em meados do século XIX. O modelo estancieiro e a formação do "gaúcho...
-
JANEIRO 04 a 06 ACAMPAMENTO DE ARTE GAÚCHA – TAPES – 103 km de POA APA – ASSOCIAÇÃO PROMOTORA DO ACAMPAMENTO DE ARTE GAÚCHA Inf.: Ma...
-
Lei das Pilchas Lei nº. 8.813, de 10 de janeiro de 1989 Autoria: Deputado Joaquim Moncks Art. 1º. - É oficializado como traje de honr...


